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Tempos de catarse.

por alho_politicamente_incorreto, em 23.02.16

Texto de José Manuel Alho

O carnaval voltou e com ele alguma catarse sempre terapêutica. Porque estamos no Inverno, a probabilidade de as condições climatéricas inviabilizarem as grandes iniciativas a céu aberto acabou por concretizar-se. Apesar de todos os esforços - mormente dos que estão sempre disponíveis para forçar o pretexto em nome de uma qualquer farra - mantém-se que o carnaval não é uma tradição genuinamente portuguesa. Trata-se de uma importação que seduziu e ganhou terreno pelo seu exotismo.

 

Portugal tem uma matriz etnocultural centrada no Entrudo que, ao representar um subconsciente coletivo, é também uma festa de inteira liberdade, durante a qual é permitido fazer-se tudo ou quase tudo. Com inteligência, criatividade e mordaz poder satírico, os costumes e os preconceitos veem-se remetidos para o fundo de um baú fechado a sete chaves.

 

A própria designação «Entrudo» – do latim introitus (introito) - apresenta igual significado: o de introduzir, dar entrada, começo ou anunciar a aproximação da quadra quaresmal. Aliás, em Portugal, uma das primeiras referências ao Entrudo encontra-se precisamente num documento datado de 1252, no reinado de D. Afonso III. Independentemente das origens, importa assentar que o Entrudo é uma festa com um significado intrinsecamente relacionado com a cultura de cada povo.

 

Por isso, não sou grande entusiasta desta importação de costumes de outro hemisfério onde o carnaval se festeja em pleno verão tropical. Ver as moçoilas a sacudir a celulite, com uma brancura semifluorescente, ostentando pele de galinha, enquanto bebo o meu chazinho, é coisa que não me convence.

E depois é o que se vê: após volumosos investimentos financeiros e pessoais, sucedem-se os cancelamentos um pouco por todo o país, penalizando fortemente quem tanto trabalha para que estas coisas aconteçam e saiam à rua.  Daí que elogie a inteligência estratégica de municípios e de outras organizações que já vão agendando estes eventos para o Verão. Com temperaturas mais apetecíveis e beneficiando de maior disponibilidade das populações, usualmente em gozo de férias, os riscos gerais são menores e os dividendos bem mais compensatórios.

 

Neste retângulo à beira-mar plantado, persistem outros carnavais. Ou como ‘in illo tempore’ asseverava Rafael Bordalo Pinheiro, em 1879, ao regressar a Lisboa após uma estadia de quatro anos no Brasil: «Cá pelo país está tudo diferente e tudo na mesma. As lutas pelo poder continuam. Os partidos sucedem-se. É que a política é como uma “grande porca”. É na política que todos mamam. E como não chega para todos, parecem bacorinhos que se empurram para ver o que consegue apanhar uma teta.»

 

Quando o humanismo e a solidariedade vencem. A pequena Patrícia, de 6 anos de idade, residente em S. João de Loure, já não terá de percorrer 26 quilómetros ao colo da mãe para, simplesmente, usufruir dos tratamentos de fisioterapia de que necessita. E tudo graças aos nossos Bombeiros Voluntários e à clínica privada de fisioterapia local que, sabendo do caso, se disponibilizaram para resolverem, a contento da Patrícia, tão adversa situação. É nestas alturas que percebemos que o mundo ainda faz sentido.

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Reflexões.

por alho_politicamente_incorreto, em 09.02.16

Das eleições aos remendos e buracos

Estava escrito nas estrelas. Marcelo Rebelo de Sousa foi eleito, à primeira volta, Presidente da República (PR). A vitória foi tão confortável quanto justa. A seu tempo se estudará como alguém, sem o apoio de uma grande máquina partidária, sem cartazes e outros recursos até hoje tidos como indispensáveis, logra alcançar semelhante triunfo.

A abstenção está nos 51.16%. Demasiado elevada para a importância deste sufrágio em concreto. A emigração bem como a contumaz desatualização dos cadernos eleitorais ajudará a explicar tamanha cifra. Contudo, a interpretação minimalista dos poderes presidenciais feita pelo ainda inquilino do Palácio de Belém terá desmotivado muitos a participar. Afinal, e tendo por referência estes dois últimos mandatos, para que servirá um PR?

Também em Albergaria Marcelo venceu com uma votação de 63,96%. Infelizmente, só 10 922 eleitores exerceram o seu direito de voto num universo de 22 753 eleitores. A abstenção atingiu a preocupante marca dos 52%. Muitos acreditam que o voto nulo, o voto em branco e a abstenção têm um significado e refletem um poder. E vivem nesse engano, recorrendo àqueles expedientes para mostrar a sua insatisfação, a sua revolta e agastamento com o rumo dos acontecimentos. No entanto, tão pobre leque de opções em nenhum momento dá(rá) consequência à indignação que dizem sentir. Trata-se somente de comportamentos eleitorais inofensivos, que apenas favorecerão quem tanto se ataca por degradar a política e as instituições. Os visados agradecem.

A democracia tem custos. «Têm direito à subvenção (...) os candidatos à Presidência da República que obtenham pelo menos 5% dos votos», prescreve a lei de financiamento dos partidos políticos e das campanhas eleitorais. Embora os valores estejam dependentes das despesas efetivamente havidas, que ainda terão de ser apresentadas pelos candidatos, estima-se que Marcelo poderá receber mais de 1,6 milhões de euros, Sampaio da Nóvoa cerca de 850 mil euros e Marisa Matias pouco mais de meio milhão de euros. Maria de Belém, Edgar Silva, Vitorino Silva, Paulo de Morais, Henrique Neto, Jorge Sequeira e Cândido Ferreira ficaram excluídos do direito à subvenção estatal. É a vida.

Entretanto, o mundo ‘lá fora’ não fecha os olhos para interlúdios eleitorais. A consultora Ernest & Young, que entrevistou 3 800 pessoas em 38 países da Europa Ocidental e de Leste, Médio Oriente, Índia e África, coloca Portugal como 5º país mais corrupto do mundo. Para nossa vergonha, mais de 80 por cento dos inquiridos concordam que as práticas de suborno acontecem de forma generalizada em Portugal. Perceções que os mercados nem sempre buscam ou evidenciam até porque parecem mais vocacionados para outro tipo de ações…

Foram aprovadas, por unanimidade, as propostas apresentadas em reunião de Câmara para homenagear personalidades, instituições e coletividades «pelo contributo para o desenvolvimento e promoção do Município de Albergaria-a-Velha, nas mais diversas áreas e aos mais diversos níveis, melhorando as condições de vida da nossa comunidade, bem como contribuindo para o aumento do prestígio do Município de Albergaria-a-Velha a nível regional, nacional e internacional». A 13 de fevereiro, data em que se assinalam os 181 anos da fundação do Concelho, os albergarienses João Alves e Edgar Pinto vão ser homenageados pela edilidade. A eles se juntarão José António da Piedade Laranjeira, Pedro Martins Pereira, a Irmandade da Misericórdia de Albergaria-a-Velha, o Sport Clube Alba, a Associação Recreativa e Musical Amigos da Branca e o Centro Cultural, Recreativo e Desportivo do Fial – Grupo de Danças e Cantares do Fial. Uma iniciativa meritória de reconhecimento e estímulo ao melhor da nossa terra.

Uma referência muito elogiosa para a equipa do Serviço de Aprendizagem Criativa do Município de Albergaria-a-Velha, que percorreu as escolas do 1.º Ciclo do Ensino Básico do Concelho a dramatizar a obra infantil “A Maior Flor do Mundo”, de José Saramago, no âmbito do projeto “Ao Encontro da…Educação Literária” para alunos do 3.º e 4º anos de escolaridade. Uma atividade bem concebida e superiormente executada por quem gosta do que faz.

Estradas, remendos e buracos. Seja pela natural degradação imposta pelo tempo, seja em consequência de intervenções recentes, várias são as estradas na cidade de Albergaria que se encontram num estado verdadeiramente deplorável. Apesar de alguns mal-azados remendos, que fariam corar de vergonha até o mais proeminente empreiteiro do deserto da Antártida, as mazelas impressionam pela sua dimensão e perigosidade. Lamentam-se os residentes, revoltam-se os automobilistas. Até quando?

JMA

 

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